Sabor Mulher
Um blog com dicas de beleza, receitas, textos como contos, poesias, poemas e curiosidades para o universo feminino.
Amor Divino
Seu Caminho
Poema além das estações
ALÉM DAS ESTAÇÕES
Procurei-te sem conhecer teu nome.
Atravessei continentes erguidos dentro de mim,
onde os dias eram rios longos
e as noites, jardins adormecidos sob a geada.
Caminhei por estradas desenhadas pelo tempo,
entre pontes suspensas sobre incertezas
e horizontes que pareciam recuar
sempre que eu julgava estar chegando.
Sem saber,
trazia tua ausência guardada
como uma carta antiga que o destino escreveu
antes mesmo do meu nascimento.
Houve invernos em que minha alma
era uma casa iluminada por uma única janela,
esperando a chegada de uma estrela tardia.
E houve silêncios tão extensos
que o eco dos meus próprios pensamentos
parecia conversar com a eternidade.
Ainda assim,
em algum lugar além das horas,
teu caminho avançava em direção ao meu,
como dois rios distantes
que desconhecem a existência um do outro,
mas pertencem ao mesmo oceano.
Então vi teu sinal.
Não surgiu como tempestade,
nem como relâmpago rasgando o céu.
Chegaste como a aurora chega às montanhas:
tocando cada sombra com delicadeza,
transformando a paisagem sem fazer ruído.
E compreendi.
Todos os desvios foram capítulos.
Todas as quedas, aprendizado.
Todas as páginas incompletas
preparavam espaço para a tua escrita.
Tu eras a palavra que faltava
ao poema que a vida vinha compondo.
A nota escondida na canção dos anos.
O porto secreto sonhado pelos navegantes
quando as águas se tornavam vastas demais.
Hoje,
quando contemplo a longa travessia,
já não vejo espinhos ou tempestades.
Vejo constelações.
Cada lembrança tornou-se estrela,
e juntas desenham o mapa exato
que me conduziu até ti.
Se o destino é um grande livro,
teu nome estava gravado
na margem dourada de suas páginas.
E se a existência é uma árvore antiga,
então fomos sementes carregadas pelo vento,
crescendo em campos diferentes,
até que a estação perfeita
nos ensinasse a florescer lado a lado.
Por isso não peço riqueza ao tempo.
Peço apenas que ele caminhe devagar,
como um velho jardineiro cuidadoso,
permitindo que cada amanhecer
acrescente uma nova flor ao nosso caminho.
Pois depois de tantas luas,
de tantas estradas
e tantos céus atravessados,
descobri que algumas pessoas
não chegam para mudar um dia.
Chegam para transformar
todas as estações da vida.
Escritora Luzia Couto
Lei 9.610/98
14/10/26
Ipanema Minas Gerais Brasil
POEMA CANÇÃO A BEIRA MAR
Canção à Beira-Mar
O dia nasceu vestido de ouro,
e o sol, qual antigo pintor dos horizontes,
espalhava sobre as águas
tintas brilhantes de eternidade.
Seguíamos pela estrada
como dois viajantes conduzidos pelo encanto,
enquanto as paisagens desfilavam pela janela
como páginas iluminadas de um livro sem fim.
O tempo perdeu a importância.
As horas, rendidas à beleza,
deixaram de contar seus passos,
e apenas o coração registrava
a grandeza daquele instante.
Então surgiu o destino,
abraçado ao azul infinito do oceano.
E lá estávamos nós,
percorrendo a avenida dos sonhos,
como duas aves livres
desenhando círculos de alegria
sob o olhar sereno do céu.
Cada parada era uma memória.
Cada fotografia,
uma pequena moldura capaz de guardar
o perfume invisível da felicidade.
O mar cantava.
As ondas escreviam versos efêmeros na areia.
E nós caminhávamos entre eles,
como personagens de uma história
que o próprio vento desejava narrar.
Quando a tarde começou a recolher suas luzes,
sentamo-nos diante do crepúsculo.
As taças erguidas refletiam o poente,
e nele pareciam flutuar
todos os sonhos que um dia cultivamos.
Ao redor,
o mundo desacelerava.
Dentro de nós,
primaveras inteiras floresciam.
A noite abriu seus jardins estrelados,
e o silêncio tornou-se uma canção suave,
dessas que apenas as almas afins conseguem ouvir.
Conversamos com a lua.
Compartilhamos lembranças.
Tecemos planos com os fios invisíveis da esperança.
E, pouco a pouco,
o universo pareceu reduzir-se
ao espaço exato entre teu olhar e o meu.
Veio o amanhecer.
Mas não trouxe despedidas.
Trouxe apenas mais luz
para aquilo que já brilhava.
As horas passaram como nuvens mansas,
e cada palavra trocada
era uma nova pétala acrescentada
ao jardim que construíamos juntos.
Descobri então
que certos encontros não dependem da juventude,
da pressa ou da estação.
São vinhos raros amadurecidos pelo tempo,
constelações que demoraram anos para se formar,
rios que atravessaram longas distâncias
para enfim encontrar o mesmo mar.
E compreendi que nosso sentimento
não se mede pelos calendários.
Ele se parece com o oceano que contemplamos:
profundo,
sereno,
infindável.
Pois basta um gesto,
um sorriso,
um simples toque de presença,
e todas as marés da vida
voltam a cantar a mesma canção.
Escritora Luzia Couto
Lei 9.610/98
16/10/26
Ipanema Minas Gerais Brasil
POEMA AMOR QUE NUNCA ACONTECEU
Amor Que Nunca Aconteceu
Sinto saudade de um lugar onde nunca estive,
de um abraço que meus braços não tocaram,
de palavras que teus lábios nunca disseram,
mas que meus sonhos, insistentes, inventaram.
Carrego teu nome em silêncios profundos,
como quem guarda uma carta jamais escrita;
e em noites longas, vazias de mundo,
te procuro na ausência que me visita.
Dói estranho essa falta sem memória,
essa saudade sem retrato ou despedida;
como se eu chorasse o fim de uma história
que nem chegou a conhecer a própria vida.
Eu te amei no espaço das possibilidades,
no quase, no talvez, no que não foi.
Amei-te entre desejos e saudades,
nesse amor que nasce inteiro e nunca se constrói.
E às vezes penso que foste mais real
do que tantos que cruzaram meu caminho.
Porque o impossível tem um brilho desigual,
e a distância faz morada no carinho.
Assim sigo, entre sombras e lembranças inventadas,
guardando o eco de um futuro que morreu.
Pois há feridas que não vêm de coisas acabadas:
vêm dos sonhos que o destino não viveu.
Escritora Luzia Couto
Lei 9.610/98
12/10/26
IPANEMA MINAS GERAIS BRASIL
Poema o que mora no desconhecido
O Que Mora no Desconhecido
Há uma tristeza suave no mistério,
como a névoa que cobre o mar ao amanhecer.
Não é dor que grita ou pede auxílio,
é silêncio que aprende a permanecer.
Penso em você como quem observa estrelas,
sem saber se a luz que vê ainda existe.
Há tanta distância entre o sonho e a verdade,
e é nesse espaço que o coração insiste.
Talvez o amor more atrás de uma esquina,
num dia comum que ainda não chegou;
ou talvez seja apenas uma sombra bonita
que minha esperança, sozinha, desenhou.
O desconhecido veste todas as formas:
às vezes promessa, às vezes adeus.
E cada pergunta sem resposta
parece afastar um pouco mais os céus.
Ainda assim, continuo caminhando,
com medo do que nunca vou saber.
Porque existe uma melancolia profunda
em desejar aquilo que pode nunca acontecer.
E quando a noite cai sobre meus pensamentos,
o futuro se torna um jardim sem cor.
Nele florescem dúvidas infinitas,
regadas pela ausência e pelo temor.
Mas o que mais machuca não é a perda,
nem a distância, nem a solidão.
É imaginar um amor possível
e nunca descobrir se ele viveria dentro do coração.
Escritora Luzia Couto
Lei 9.610/98
12/10/26
Ipanema Minas Gerais Brasil
POEMA
[07:04, 10/10/2026] Poetisa Luzia Couto: Casa Vazia
A saudade bate à minha porta
sem pedir licença para entrar,
traz nos olhos o peso dos dias
e nas mãos o silêncio do mar.
A casa ainda guarda teus passos,
como ecos perdidos no chão;
cada canto repete teu nome,
cada sombra recorda o verão.
Mas foi o abandono quem ficou,
sentado à mesa do meu viver,
bebendo aos poucos minhas horas
e ensinando meu peito a doer.
Pergunto ao vento por respostas,
mas ele passa sem explicar;
leva folhas, promessas e sonhos,
deixa apenas a noite ficar.
Mesmo assim, entre ruínas e lágrimas,
há uma chama que insiste em arder;
pois quem sobrevive à ausência
aprende, devagar, a renascer.
E um dia a saudade será brisa,
não tempestade a me partir;
será lembrança pousada na alma,
como um pássaro cansado a dormir.
Escritora Luzia Couto
Lei 9.610/98
11/10/26
Ipanema Minas Gerais Brasil
POEMA
Silêncio da Ausência
Há um silêncio morando em mim,
não o silêncio da noite calma,
mas aquele que nasce da partida
e faz eco no fundo da alma.
As palavras perderam caminho,
os risos esqueceram de voltar,
e cada canto da memória
aprendeu devagar a chorar.
Te procuro entre sombras e ventos,
na saudade que insiste em ficar,
como folha perdida no outono
que não sabe onde repousar.
Há dias em que tua lembrança
é um rio sereno a correr;
noutros, é mar revolto e profundo
fazendo meu peito estremecer.
Mas o amor que a morte não leva
permanece, discreto, a florescer,
feito estrela escondida na névoa
que continua a viver.
E nesse silêncio dolorido,
onde a ausência parece reinar,
guardo tua luz dentro da alma,
pois quem amamos nunca deixa de habitar.
Escritora Luzia Couto
Lei 9.610/98
11/10/26
Ipanema Minas Gerais Brasil
Poesia Amor em cada detalhe
Amor em Cada Detalhe
Não foi de repente.
Foi chegando aos poucos, como o amanhecer que colore o céu sem que ninguém perceba o exato instante.
Primeiro veio o sorriso, simples e tranquilo.
epois vieram as conversas, os olhares demorados, as coincidências que pareciam destino e os silêncios que já diziam tudo.
Você transformou o comum em especial.
Fez a rotina ganhar poesia, fez os dias cinzentos encontrarem cor, fez meu coração compreender que amar é muito mais do que sentir.
cuidar.
É permanecer.
É escolher a mesma pessoa todos os dias.
Quando você está perto, o tempo parece desacelerar como se o mundo inteiro respeitasse a beleza daquele momento.
E quando segura minha mão, é como se todas as inseguranças encontrassem um lugar seguro para descansar.
Há algo no brilho dos seus olhos que me faz acreditar nos sonhos.
Algo na sua voz que acalma as tempestades mais difíceis.
Algo na sua presença que transforma qualquer lugar em lar.
Se eu pudesse fazer um pedido ao universo, não pediria riquezas, nem viagens, nem promessas impossíveis.
Pediria apenas mais tempo.
Tempo para ouvir sua risada.
Tempo para criar lembranças.
Tempo para caminhar ao seu lado em todas as estações da vida.
Porque existe uma verdade que meu coração aprendeu com você:
O amor não mora nos grandes gestos.
Ele vive nos detalhes.
No "chegou bem?".
No abraço demorado.
No cuidado silencioso.
Na mensagem inesperada.
No simples fato de saber que alguém escolhe ficar.
E se um dia me perguntarem o que é felicidade,
eu não apontarei para o céu, nem para o mar, nem para as estrelas.
Eu apenas direi seu nome.
Porque foi em você que encontrei o mais bonito significado do amor.
Escritora Luzia Couto 06/10/26
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