Amor Divino

Amor Divino

Gotas de frescor divino lavam minha alma,
cristais líquidos que aquietam cada vértice do ser;
uma calma translúcida veste o peito,
como se o mundo respirasse em vidro polido.
Surge, então, uma inquietude rítmica,
belo compasso que arde sem violar a maciez;
uma fúria serena, turbilhão luminoso,
cujas ondas cantam em harmonia austera.

De ti nasce a ilusão que nos acaricia,
chuva de ardor que desenha mapas no corpo;
cada gota é promessa de encontro,
um furor delicado em busca do grande amor.
Promessas cadenciadas de alegria
esperam, ternas, por nossos passos;
vindas com carícias como pétalas claras,
tocam o rosto daquele ser amado.

De ti brotam fé e esperança brandas,
sonhos afáveis que regam a felicidade;
momentos polidos, quase joias, florescem
na paciência dos afetos requintados.
Benditos são os que a vida procura,
tingidos em matizes que não se apagam;
cores que se estendem por eras,
guardando o brilho da eternidade.

Em ti confio, fonte  de luz e calor,
lampejos que o destino devolve ao caminho;
vem, invoca com tua voz a nascente sagrada 
a fonte do amor que nunca seca.

Escritora Luzia Couto 
Lei 9.610/98
11/11/22
Ipanema Minas Gerais Brasil

Seu Caminho

Seu Caminho

Quando a alma atravessa trilhas sem volta,
sem mapa, sem promessa da próxima refeição,
entre migalhas de esperança e taças imaginárias;
é aí que se forja a tessitura do destino.

Não importa se a chegada for solitária,
pois quem caminha escolheu o passo,
consciente do risco, íntimo da escolha;
sabe que não há engano no rumo escolhido.

Amores e mágoas ficam como sombras deixadas
ao longo do caminho que rasga a paisagem;
não mais posses nem lares lhe prendem o peito,
apenas pensamentos que você cultiva como jardins.

Haverá vozes para chamar isso de egoísmo,
outros pintarão de orgulho seu rosto erguido;
alguns lhe outorgarão a alcunha de sábio,
enquanto você se torna guardião da margem do abismo.

Não se curve diante dos olhos que julgam,
nem tema os desfechos que o destino traz;
ande  lento ou rápido  com a coragem como bússola,
pois cada estrada conclui-se no último silêncio.

E mesmo assim, no limiar onde tudo finda,
há uma luz que não anula a travessia:
o valor de ter sido inteiro no percurso,
de ter-se entregue ao caminhar até o fim.

Escritora Luzia Couto 
Lei 9.610/98
12/03/24
Ipanema Minas Gerais Brasil

Poema além das estações

ALÉM DAS ESTAÇÕES


Procurei-te sem conhecer teu nome.


Atravessei continentes erguidos dentro de mim,

onde os dias eram rios longos

e as noites, jardins adormecidos sob a geada.


Caminhei por estradas desenhadas pelo tempo,

entre pontes suspensas sobre incertezas

e horizontes que pareciam recuar

sempre que eu julgava estar chegando.


Sem saber,

trazia tua ausência guardada

como uma carta antiga que o destino escreveu

antes mesmo do meu nascimento.


Houve invernos em que minha alma

era uma casa iluminada por uma única janela,

esperando a chegada de uma estrela tardia.


E houve silêncios tão extensos

que o eco dos meus próprios pensamentos

parecia conversar com a eternidade.


Ainda assim,

em algum lugar além das horas,

teu caminho avançava em direção ao meu,

como dois rios distantes

que desconhecem a existência um do outro,

mas pertencem ao mesmo oceano.


Então vi teu sinal.


Não surgiu como tempestade,

nem como relâmpago rasgando o céu.


Chegaste como a aurora chega às montanhas:

tocando cada sombra com delicadeza,

transformando a paisagem sem fazer ruído.


E compreendi.


Todos os desvios foram capítulos.

Todas as quedas, aprendizado.

Todas as páginas incompletas

preparavam espaço para a tua escrita.


Tu eras a palavra que faltava

ao poema que a vida vinha compondo.


A nota escondida na canção dos anos.

O porto secreto sonhado pelos navegantes

quando as águas se tornavam vastas demais.


Hoje,

quando contemplo a longa travessia,

já não vejo espinhos ou tempestades.


Vejo constelações.


Cada lembrança tornou-se estrela,

e juntas desenham o mapa exato

que me conduziu até ti.


Se o destino é um grande livro,

teu nome estava gravado

na margem dourada de suas páginas.


E se a existência é uma árvore antiga,

então fomos sementes carregadas pelo vento,

crescendo em campos diferentes,

até que a estação perfeita

nos ensinasse a florescer lado a lado.


Por isso não peço riqueza ao tempo.


Peço apenas que ele caminhe devagar,

como um velho jardineiro cuidadoso,

permitindo que cada amanhecer

acrescente uma nova flor ao nosso caminho.


Pois depois de tantas luas,

de tantas estradas

e tantos céus atravessados,


descobri que algumas pessoas

não chegam para mudar um dia.


Chegam para transformar

todas as estações da vida.


Escritora Luzia Couto 

Lei 9.610/98

14/10/26

Ipanema Minas Gerais Brasil

 

POEMA CANÇÃO A BEIRA MAR

Canção à Beira-Mar


O dia nasceu vestido de ouro,

e o sol, qual antigo pintor dos horizontes,

espalhava sobre as águas

tintas brilhantes de eternidade.

Seguíamos pela estrada

como dois viajantes conduzidos pelo encanto,

enquanto as paisagens desfilavam pela janela

como páginas iluminadas de um livro sem fim.

O tempo perdeu a importância.

As horas, rendidas à beleza,

deixaram de contar seus passos,

e apenas o coração registrava

a grandeza daquele instante.

Então surgiu o destino,

abraçado ao azul infinito do oceano.

E lá estávamos nós,

percorrendo a avenida dos sonhos,

como duas aves livres

desenhando círculos de alegria

sob o olhar sereno do céu.

Cada parada era uma memória.

Cada fotografia,

uma pequena moldura capaz de guardar

o perfume invisível da felicidade.

O mar cantava.

As ondas escreviam versos efêmeros na areia.

E nós caminhávamos entre eles,

como personagens de uma história

que o próprio vento desejava narrar.

Quando a tarde começou a recolher suas luzes,

sentamo-nos diante do crepúsculo.

As taças  erguidas refletiam o poente,

e nele pareciam flutuar

todos os sonhos que um dia cultivamos.

Ao redor,

o mundo desacelerava.

Dentro de nós,

primaveras inteiras floresciam.

A noite abriu seus jardins estrelados,

e o silêncio tornou-se uma canção suave,

dessas que apenas as almas afins conseguem ouvir.

Conversamos com a lua.

Compartilhamos lembranças.

Tecemos planos com os fios invisíveis da esperança.

E, pouco a pouco,

o universo pareceu reduzir-se

ao espaço exato entre teu olhar e o meu.

Veio o amanhecer.

Mas não trouxe despedidas.

Trouxe apenas mais luz

para aquilo que já brilhava.

As horas passaram como nuvens mansas,

e cada palavra trocada

era uma nova pétala acrescentada

ao jardim que construíamos juntos.

Descobri então

que certos encontros não dependem da juventude,

da pressa ou da estação.

São vinhos raros amadurecidos pelo tempo,

constelações que demoraram anos para se formar,

rios que atravessaram longas distâncias

para enfim encontrar o mesmo mar.

E compreendi que nosso sentimento

não se mede pelos calendários.

Ele se parece com o oceano que contemplamos:

profundo,

sereno,

infindável.

Pois basta um gesto,

um sorriso,

um simples toque de presença,

e todas as marés da vida

voltam a cantar a mesma canção.

Escritora Luzia Couto 

Lei 9.610/98

16/10/26

Ipanema Minas Gerais Brasil

POEMA AMOR QUE NUNCA ACONTECEU


 Amor Que Nunca Aconteceu


Sinto saudade de um lugar onde nunca estive,  

de um abraço que meus braços não tocaram,  

de palavras que teus lábios nunca disseram,  

mas que meus sonhos, insistentes, inventaram.


Carrego teu nome em silêncios profundos,  

como quem guarda uma carta jamais escrita;  

e em noites longas, vazias de mundo,  

te procuro na ausência que me visita.


Dói estranho essa falta sem memória,  

essa saudade sem retrato ou despedida;  

como se eu chorasse o fim de uma história  

que nem chegou a conhecer a própria vida.


Eu te amei no espaço das possibilidades,  

no quase, no talvez, no que não foi.  

Amei-te entre desejos e saudades,  

nesse amor que nasce inteiro e nunca se constrói.


E às vezes penso que foste mais real  

do que tantos que cruzaram meu caminho.  

Porque o impossível tem um brilho desigual,  

e a distância faz morada no carinho.


Assim sigo, entre sombras e lembranças inventadas,  

guardando o eco de um futuro que morreu.  

Pois há feridas que não vêm de coisas acabadas:


vêm dos sonhos que o destino não viveu.

Escritora Luzia Couto 

Lei 9.610/98

12/10/26

IPANEMA MINAS GERAIS BRASIL

Poema o que mora no desconhecido

O Que Mora no Desconhecido


Há uma tristeza suave no mistério,  

como a névoa que cobre o mar ao amanhecer.  

Não é dor que grita ou pede auxílio,  

é silêncio que aprende a permanecer.


Penso em você como quem observa estrelas,  

sem saber se a luz que vê ainda existe.  

Há tanta distância entre o sonho e a verdade,  

e é nesse espaço que o coração insiste.


Talvez o amor more atrás de uma esquina,  

num dia comum que ainda não chegou;  

ou talvez seja apenas uma sombra bonita  

que minha esperança, sozinha, desenhou.


O desconhecido veste todas as formas:  

às vezes promessa, às vezes adeus.  

E cada pergunta sem resposta  

parece afastar um pouco mais os céus.


Ainda assim, continuo caminhando,  

com medo do que nunca vou saber.  

Porque existe uma melancolia profunda  

em desejar aquilo que pode nunca acontecer.


E quando a noite cai sobre meus pensamentos,  

o futuro se torna um jardim sem cor.  

Nele florescem dúvidas infinitas,  

regadas pela ausência e pelo temor.


Mas o que mais machuca não é a perda,  

nem a distância, nem a solidão.  

É imaginar um amor possível  

e nunca descobrir se ele viveria dentro do coração.


Escritora Luzia Couto 

Lei 9.610/98

12/10/26

Ipanema Minas Gerais Brasil

 

POEMA


 [07:04, 10/10/2026] Poetisa Luzia Couto: Casa Vazia


A saudade bate à minha porta  

sem pedir licença para entrar,  

traz nos olhos o peso dos dias  

e nas mãos o silêncio do mar.


A casa ainda guarda teus passos,  

como ecos perdidos no chão;  

cada canto repete teu nome,  

cada sombra recorda o verão.


Mas foi o abandono quem ficou,  

sentado à mesa do meu viver,  

bebendo aos poucos minhas horas  

e ensinando meu peito a doer.


Pergunto ao vento por respostas,  

mas ele passa sem explicar;  

leva folhas, promessas e sonhos,  

deixa apenas a noite ficar.


Mesmo assim, entre ruínas e lágrimas,  

há uma chama que insiste em arder;  

pois quem sobrevive à ausência  

aprende, devagar, a renascer.


E um dia a saudade será brisa,  

não tempestade a me partir;  

será lembrança pousada na alma,  

como um pássaro cansado a dormir.


Escritora Luzia Couto 

Lei 9.610/98

11/10/26

Ipanema Minas Gerais Brasil


POEMA

Silêncio da Ausência


Há um silêncio morando em mim,  

não o silêncio da noite calma,  

mas aquele que nasce da partida  

e faz eco no fundo da alma.


As palavras perderam caminho,  

os risos esqueceram de voltar,  

e cada canto da memória  

aprendeu devagar a chorar.


Te procuro entre sombras e ventos,  

na saudade que insiste em ficar,  

como folha perdida no outono  

que não sabe onde repousar.


Há dias em que tua lembrança  

é um rio sereno a correr;  

noutros, é mar revolto e profundo  

fazendo meu peito estremecer.


Mas o amor que a morte não leva  

permanece, discreto, a florescer,  

feito estrela escondida na névoa  

que continua a viver.


E nesse silêncio dolorido,  

onde a ausência parece reinar,  

guardo tua luz dentro da alma,  

pois quem amamos nunca deixa de habitar.


Escritora Luzia Couto 

Lei 9.610/98

11/10/26

Ipanema Minas Gerais Brasil

 

Poesia Amor em cada detalhe


 Amor em Cada Detalhe


Não foi de repente.

Foi chegando aos poucos, como o amanhecer que colore o céu sem que ninguém perceba o exato instante.

Primeiro veio o sorriso, simples e tranquilo.

epois vieram as conversas, os olhares demorados, as coincidências que pareciam destino e os silêncios que já diziam tudo.

Você transformou o comum em especial.

Fez a rotina ganhar poesia, fez os dias cinzentos encontrarem cor, fez meu coração compreender que amar é muito mais do que sentir.

 cuidar.

É permanecer.

É escolher a mesma pessoa todos os dias.

Quando você está perto, o tempo parece desacelerar como se o mundo inteiro respeitasse a beleza daquele momento.

E quando segura minha mão, é como se todas as inseguranças encontrassem um lugar seguro para descansar.

Há algo no brilho dos seus olhos que me faz acreditar nos sonhos.

Algo na sua voz que acalma as tempestades mais difíceis.

Algo na sua presença que transforma qualquer lugar em lar.

Se eu pudesse fazer um pedido ao universo, não pediria riquezas, nem viagens, nem promessas impossíveis.

Pediria apenas mais tempo.

Tempo para ouvir sua risada.

Tempo para criar lembranças.

Tempo para caminhar ao seu lado em todas as estações da vida.

Porque existe uma verdade que meu coração aprendeu com você:

O amor não mora nos grandes gestos.

Ele vive nos detalhes.

No "chegou bem?".

No abraço demorado.

No cuidado silencioso.

Na mensagem inesperada.

No simples fato de saber que alguém escolhe ficar.

E se um dia me perguntarem o que é felicidade,

eu não apontarei para o céu, nem para o mar, nem para as estrelas.

Eu apenas direi seu nome.

Porque foi em você que encontrei o mais bonito significado do amor.

Escritora Luzia Couto 06/10/26