Poesia Amor em cada detalhe


 Amor em Cada Detalhe


Não foi de repente.

Foi chegando aos poucos, como o amanhecer que colore o céu sem que ninguém perceba o exato instante.

Primeiro veio o sorriso, simples e tranquilo.

epois vieram as conversas, os olhares demorados, as coincidências que pareciam destino e os silêncios que já diziam tudo.

Você transformou o comum em especial.

Fez a rotina ganhar poesia, fez os dias cinzentos encontrarem cor, fez meu coração compreender que amar é muito mais do que sentir.

 cuidar.

É permanecer.

É escolher a mesma pessoa todos os dias.

Quando você está perto, o tempo parece desacelerar como se o mundo inteiro respeitasse a beleza daquele momento.

E quando segura minha mão, é como se todas as inseguranças encontrassem um lugar seguro para descansar.

Há algo no brilho dos seus olhos que me faz acreditar nos sonhos.

Algo na sua voz que acalma as tempestades mais difíceis.

Algo na sua presença que transforma qualquer lugar em lar.

Se eu pudesse fazer um pedido ao universo, não pediria riquezas, nem viagens, nem promessas impossíveis.

Pediria apenas mais tempo.

Tempo para ouvir sua risada.

Tempo para criar lembranças.

Tempo para caminhar ao seu lado em todas as estações da vida.

Porque existe uma verdade que meu coração aprendeu com você:

O amor não mora nos grandes gestos.

Ele vive nos detalhes.

No "chegou bem?".

No abraço demorado.

No cuidado silencioso.

Na mensagem inesperada.

No simples fato de saber que alguém escolhe ficar.

E se um dia me perguntarem o que é felicidade,

eu não apontarei para o céu, nem para o mar, nem para as estrelas.

Eu apenas direi seu nome.

Porque foi em você que encontrei o mais bonito significado do amor.

Escritora Luzia Couto 06/10/26

Poesia A conversa da chuva


 A Conversa da Chuva e do Vento

Numa tarde silenciosa e calma,

 o vento chegou sem fazer barulho,

 tocou levemente as folhas das árvores

 e passou a passear pelos caminhos do mundo.

Logo depois veio a chuva,

 com seus passos de gotas brilhantes,

 caindo mansamente sobre os telhados,

 sobre os rios, sobre as flores e sobre a gente.

O vento sorriu e perguntou:

— Por que você sempre chega chorando?

A chuva respondeu com ternura:

— Eu não choro. Levo para a terra aquilo que o céu já não consegue guardar.

O vento pensou por um instante.

— Então talvez eu faça o mesmo. Carrego sementes, perfumes e lembranças que não conseguem ficar no mesmo lugar.

Juntos, seguiram viagem.

A chuva lavava as poeiras do caminho, enquanto o vento espalhava esperança pelos campos.

Quando uma árvore estava cansada, a chuva lhe oferecia água.

Quando as nuvens estavam pesadas, o vento ajudava a levá-las adiante.

E assim descobriram que eram diferentes, mas que suas forças se completavam.

A chuva ensinava a importância da calma.

O vento ensinava a coragem da mudança.

A chuva mostrava que, às vezes, é preciso deixar as emoções fluírem.

O vento lembrava que a vida não foi feita para permanecer parada.

Naquela noite, enquanto a lua observava o céu, os dois dançaram juntos sobre a cidade.

As gotas brilham sob a luz prateada, e o vento as guiava como se fossem estrelas viajantes.

Quem olhava pela janela via apenas uma noite chuvosa.

Mas quem observava com o coração conseguia ouvir uma linda conversa:

— Obrigado por renovar a vida dizia o vento.

— Obrigada por me ensinar a seguir em frente   respondia a chuva.

 Desde então, toda vez que a chuva cai e o vento sopra suavemente pela janela, a natureza nos recorda um segredo simples:

há momentos para sentir e momentos para seguir, mas ambos são necessários para que a vida floresça. 

Escritora Luzia Couto 06/10/26

POEMA


 Sombra e lembrança


Foi paixão de céu ardente,  

Feita em noites de luar,  

Hoje és sombra na lembrança,  

Que não cansa de voltar.


Tua ausência fez morada  

Nos cantos do coração,  

E a tristeza, silenciosa,  

Transformou-se em solidão.


Nas janelas da saudade,  

Vejo teu rosto surgir,  

Mas ao tocar tua lembrança,  

Só me resta repetir.


A paixão deixou vestígios  

Que o tempo não desfez,  

Pois a dor da tua falta  

Nasce nova a cada vez. 


A paixão acende a alma, 

a ausência fere o peito, 

e a tristeza aprende a morar

 onde o amor foi imperfeito.


Escritora Luzia Couto 

Lei 9.610/98

04/10/26

Ipanema Minas Gerais Brasil

POEMA


 Mapas de Névoa


Nas margens silenciosas da escrita,  

tracei caminhos com tinta e memória,  

pequenos mapas de um continente invisível  

que existiu apenas dentro de mim.


Entreguei-os ao reino das possibilidades,  

onde os sonhos repousam suspensos  

como constelações que ainda procuram nome.


Ali habitam os dias que imaginei viver,  

os jardins que plantei no horizonte,  

as chegadas que nunca encontraram porto  

e os voos que o vento desviou de direção.


Meus pensamentos caminham pelo infinito,  

viajantes sem fronteiras,  

carregando malas feitas de esperança,  

saudade e perguntas sem resposta.


Encontro sombras de antigos desejos,  

espelhos de futuros que não nasceram,  

rastros de sorte e desencontros  

gravados na areia móvel do tempo.


Mas aprendi que a vida  

não segue os esboços que desenhamos.


Ela é rio indomável,  

que contorna montanhas,  

abandona margens conhecidas  

e inventa oceanos onde não havia caminho.


E assim observo meus antigos projetos  

flutuando como folhas douradas  

sobre as águas da lembrança.


Não os lamento.


Foram estrelas que iluminaram a travessia,  

mesmo sem tocar o chão dos acontecimentos.


Hoje compreendo:


aquilo que não foi  

também ajudou a construir quem sou.


E cada rabisco perdido no passado  

transformou-se em verso,


cada sonho inacabado  

transformou-se em horizonte,


e cada silêncio da alma  

transformou-se em poesia.


Escritora Luzia Couto 

Lei 9.610/98

05/10/26

Ipanema Minas Gerais Brasil

POEMA SOB A LUZ DA LUA

Sob o Olhar da Lua

A lua surgiu serena no céu estrelado,  

como quem guarda segredos de um amor encantado.  

Seu brilho prateado beijava o horizonte,  

enquanto dois corações sonhavam sem fronte.


De mãos entrelaçadas, seguiam devagar,  

ouvindo o silêncio da noite a lhes embalar.  

Cada estrela distante parecia sorrir,  

vendo aquele sentimento crescer e florescer.


A lua, testemunha fiel dos seus olhares,  

refletia nos olhos os mais belos mares.  

E em cada abraço, suave e verdadeiro,  

o tempo esquecia seu caminho ligeiro.


Ela iluminava promessas feitas ao vento,  

palavras simples, mas cheias de sentimento.  

E o amor dos dois, tão puro e profundo,  

fazia parecer pequeno todo o resto do mundo.


Naquela noite mágica, de ternura sem fim,  

a lua desenhou no céu um jardim.  

E entre estrelas e sonhos, numa eterna canção,  

uniu dois destinos em um só coração.

Escritora Luzia Couto 

02/10/26

Ipanema Minas Gerais Brasil

 

Poema Distância


 Distância


A distância não chegou de repente,  

veio em silêncios que ninguém percebeu.  

Entre mensagens sem resposta  

e saudades que só eu senti.


O amor não acabou num instante,  

apagou-se devagar, como luz ao entardecer.  

Cada dia levou um pouco de nós,  

até restarem apenas lembranças.


E o que antes era abrigo,  

tornou-se um lugar distante.  

Não porque deixei de te amar,  

mas porque a ausência aprendeu a vencer. 


Escritora Luzia Couto 

01/10/26

Ipanema Minas Gerais Brasil

POEMA TODA, TODA

Toda ,Toda 


Ela é toda maciez de nuvem lenta,  

pluma que pousa sem peso no ar,  

toda fragrância de jasmim aberto  

e lavanda que se desfolha ao entardecer.  


Ela é flor que desabrocha em silêncio,  

perfeição redonda e firme  

como a curva de uma lua nova,  

bundinha que se oferece ao olhar  

com a inocência de quem sabe ser desejo.  


Ela é toda minha  

fractais de luz que se repetem no corpo,  

vitrais onde o sol se quebra em cores íntimas.  


Em seus seios me aloja  

como quem encontra porto depois de longa navegação;  

em seu sexo me aconchega  

como quem regressa ao ninho quente da origem.  


Ela é nua 

a poesia despida de metáforas desnecessárias

o verso que se escreve só com pele e respiração.  


É o orvalho que repousa no meu olhar  

antes que o dia o evapore,  

o único diamante que não precisa de joia,  

a última e insubstituível riqueza  

que nenhum tesouro consegue igualar.  


Ela é o valor que não se mede,  

o excesso que se guarda no peito  

e nunca se gasta.


ESCRITORA LUZIA COUTO

LEI 9.610/98

SETEMBRO 26

IPANEMA MINAS GERAIS BRASIL

 

POEMA O ALFABETO DO AMOR


 O Alfabeto do Amor


A gota que aprende a ser fonte,

a fonte que ousa ser rio,

o rio que se entrega em mar,

o mar que se alarga em oceano —

assim cresce o amor em nós,

de sussurro a infinito.


As estrelas, alfinetes de luz bordando o véu da noite,

a lua, amante debruçada na janela do escuro,

o sol, noivo dourado debruçado sobre o dia.


A semente que desperta em flor,

a flor que se ergue em árvore,

a árvore que se oferece em fruto —

assim frutifica o afeto quando é cuidado.


O toque manso de um bicho que reconhece tua alma,

a borboleta, bilhete de seda pousado em teu ombro,

o vento, dedos invisíveis desenhando carícias no rosto,

a chuva, manto líquido acolhendo teu corpo inteiro.


Tudo isso é Deus em caligrafia,

Deus traduzindo-se em amor,

Deus nos ensinando, verso a verso,

a arte eterna de amar.


Luzia Couto  18/09

POEMA DESMEDIDA


 Desmedida


Pediram-me um beijo,

eu entreguei carícias sem medida.


Pediram-me um abraço,

eu me estendi até o infinito e fiquei lá.


Pediram-me uma gota de emoção,

eu desaguei em tempestade,

inundei o mundo com meu pranto de rio.


Pediram-me uma linha,

eu derramei bibliotecas,

fiz de um verso, cantoria.


Pediram-me os olhos,

eu despi a alma.


Pediram-me amor,

e eu então 

imensa, inteira, acesa 

já não coube em mim,

nem no céu,

nem no universo.


Escritora Luzia Couto  

lei 9.610/98

20/09/26

Ipanema Minas Gerais Brasil



Desmedida

Me pidieron un beso, entregué caricias sin medida.

Me pidieron un abrazo, me extendí hasta el infinito y allí me quedé.

Me pidieron una gota de emoción, me desbordé en tormenta, inundé el mundo con mi llanto de rio.

Me pidieron una linea, derramé bibliotecas, hice de un verso un canto.

Me pidieron los ojos, pidieron una linea, derramé bibliotecas, hice de un verso un canto.

Me pidieron los ojos, desnudé el alma.

Me pidieron amor, y entonces —inmensa, entera, encendida— ya no cabía en mí, ni en el cielo, ni en el universo.

Escritora Luzia Couto

Ley 9.610/98 • 20/09/26

Ipanema • Minas Gerais

Brasil