POEMA SOB A LUZ DA LUA

Sob o Olhar da Lua

A lua surgiu serena no céu estrelado,  

como quem guarda segredos de um amor encantado.  

Seu brilho prateado beijava o horizonte,  

enquanto dois corações sonhavam sem fronte.


De mãos entrelaçadas, seguiam devagar,  

ouvindo o silêncio da noite a lhes embalar.  

Cada estrela distante parecia sorrir,  

vendo aquele sentimento crescer e florescer.


A lua, testemunha fiel dos seus olhares,  

refletia nos olhos os mais belos mares.  

E em cada abraço, suave e verdadeiro,  

o tempo esquecia seu caminho ligeiro.


Ela iluminava promessas feitas ao vento,  

palavras simples, mas cheias de sentimento.  

E o amor dos dois, tão puro e profundo,  

fazia parecer pequeno todo o resto do mundo.


Naquela noite mágica, de ternura sem fim,  

a lua desenhou no céu um jardim.  

E entre estrelas e sonhos, numa eterna canção,  

uniu dois destinos em um só coração.

Escritora Luzia Couto 

02/10/26

Ipanema Minas Gerais Brasil

 

Poema Distância


 Distância


A distância não chegou de repente,  

veio em silêncios que ninguém percebeu.  

Entre mensagens sem resposta  

e saudades que só eu senti.


O amor não acabou num instante,  

apagou-se devagar, como luz ao entardecer.  

Cada dia levou um pouco de nós,  

até restarem apenas lembranças.


E o que antes era abrigo,  

tornou-se um lugar distante.  

Não porque deixei de te amar,  

mas porque a ausência aprendeu a vencer. 


Escritora Luzia Couto 

01/10/26

Ipanema Minas Gerais Brasil

POEMA TODA, TODA

Toda ,Toda 


Ela é toda maciez de nuvem lenta,  

pluma que pousa sem peso no ar,  

toda fragrância de jasmim aberto  

e lavanda que se desfolha ao entardecer.  


Ela é flor que desabrocha em silêncio,  

perfeição redonda e firme  

como a curva de uma lua nova,  

bundinha que se oferece ao olhar  

com a inocência de quem sabe ser desejo.  


Ela é toda minha  

fractais de luz que se repetem no corpo,  

vitrais onde o sol se quebra em cores íntimas.  


Em seus seios me aloja  

como quem encontra porto depois de longa navegação;  

em seu sexo me aconchega  

como quem regressa ao ninho quente da origem.  


Ela é nua 

a poesia despida de metáforas desnecessárias

o verso que se escreve só com pele e respiração.  


É o orvalho que repousa no meu olhar  

antes que o dia o evapore,  

o único diamante que não precisa de joia,  

a última e insubstituível riqueza  

que nenhum tesouro consegue igualar.  


Ela é o valor que não se mede,  

o excesso que se guarda no peito  

e nunca se gasta.


ESCRITORA LUZIA COUTO

LEI 9.610/98

SETEMBRO 26

IPANEMA MINAS GERAIS BRASIL

 

POEMA O ALFABETO DO AMOR


 O Alfabeto do Amor


A gota que aprende a ser fonte,

a fonte que ousa ser rio,

o rio que se entrega em mar,

o mar que se alarga em oceano —

assim cresce o amor em nós,

de sussurro a infinito.


As estrelas, alfinetes de luz bordando o véu da noite,

a lua, amante debruçada na janela do escuro,

o sol, noivo dourado debruçado sobre o dia.


A semente que desperta em flor,

a flor que se ergue em árvore,

a árvore que se oferece em fruto —

assim frutifica o afeto quando é cuidado.


O toque manso de um bicho que reconhece tua alma,

a borboleta, bilhete de seda pousado em teu ombro,

o vento, dedos invisíveis desenhando carícias no rosto,

a chuva, manto líquido acolhendo teu corpo inteiro.


Tudo isso é Deus em caligrafia,

Deus traduzindo-se em amor,

Deus nos ensinando, verso a verso,

a arte eterna de amar.


Luzia Couto  18/09

POEMA DESMEDIDA


 Desmedida


Pediram-me um beijo,

eu entreguei carícias sem medida.


Pediram-me um abraço,

eu me estendi até o infinito e fiquei lá.


Pediram-me uma gota de emoção,

eu desaguei em tempestade,

inundei o mundo com meu pranto de rio.


Pediram-me uma linha,

eu derramei bibliotecas,

fiz de um verso, cantoria.


Pediram-me os olhos,

eu despi a alma.


Pediram-me amor,

e eu então 

imensa, inteira, acesa 

já não coube em mim,

nem no céu,

nem no universo.


Escritora Luzia Couto  

lei 9.610/98

20/09/26

Ipanema Minas Gerais Brasil



Desmedida

Me pidieron un beso, entregué caricias sin medida.

Me pidieron un abrazo, me extendí hasta el infinito y allí me quedé.

Me pidieron una gota de emoción, me desbordé en tormenta, inundé el mundo con mi llanto de rio.

Me pidieron una linea, derramé bibliotecas, hice de un verso un canto.

Me pidieron los ojos, pidieron una linea, derramé bibliotecas, hice de un verso un canto.

Me pidieron los ojos, desnudé el alma.

Me pidieron amor, y entonces —inmensa, entera, encendida— ya no cabía en mí, ni en el cielo, ni en el universo.

Escritora Luzia Couto

Ley 9.610/98 • 20/09/26

Ipanema • Minas Gerais

Brasil

POEMA NOS VERSOS DA SAUDADE

Nos Versos da Saudade

Desde que partiste,

os dias perderam um pouco da cor,

e as noites aprenderam a guardar

os segredos de um grande amor.


A distância levou tua presença,

mas não conseguiu levar teu lugar.

Pois em cada canto do meu peito

é somente você que continua a morar.


A saudade me visita em silêncio,

quando a lua ilumina a solidão,

e deixa lembranças tão bonitas

que misturam tristeza e paixão.


Sinto falta do teu sorriso,

do brilho doce do teu olhar,

das palavras que aqueciam minha alma

e me ensinavam a sonhar.


Mas o amor verdadeiro é paciente,

sabe esperar sem desistir.

Mesmo longe, continua forte,

encontrando razões para seguir.


E assim vou vivendo de lembranças,

guardando cada momento que passou,

porque quem ama com intensidade

nunca esquece quem o coração escolheu.


Se um dia nossos caminhos se cruzarem,

como tanto peço em minhas orações,

vou transformar toda essa saudade

no mais lindo dos abraços e emoções.


Até lá, meu amor,

continuarei a te amar em silêncio e calma,

pois há distâncias que separam corpos,

mas jamais conseguem separar almas.


Escritora Luzia Couto 

Lei 9.610/98

29/09/26

IPANEMA MINAS GERAIS BRASIL


En los Versos de la Saudade

Desde que partiste,

los días perdieron un poco del color,

y las noches aprendieron a guardar

los secretos de un gran amor.

La distancia se llevó tu presencia,

pero no pudo llevarse tu lugar.

Pues en cada rincón de mi pecho

es solo tú quien sigue morando.

La saudade me visita en silencio,

cuando la luna ilumina la soledad,

y deja recuerdos tan hermosos

que mezclan tristeza y pasión.

Extraño tu sonrisa,

el brillo dulce de tu mirada,

las palabras que calentaban mi alma

y me enseñaban a soñar.

Pero el amor verdadero es paciente,

sabe esperar sin rendirse.

Aunque lejos, sigue fuerte,

encontrando razones para continuar.

Y así voy viviendo de recuerdos,

guardando cada momento que pasó,

porque quien ama con intensidad

nunca olvida a quien el corazón eligió.

Si un día nuestros caminos se cruzan,

como tanto pido en mis oraciones,

transformaré toda esta saudade

en el más hermoso de los abrazos y emociones.

Hasta entonces, mi amor,

seguiré amándote en silencio y calma,

pues hay distancias que separan cuerpos,

pero jamás logran separar almas.

Escritora Luzia Couto

Lei 9.610/98

29/09/26

Ipanema, Minas Gerais, Brasil

 

POEMA HERANÇA DE LUZ

Herança de luz 


Desde que tua presença recolheu suas velas

e navegou para horizontes que meus olhos não alcançam,

os dias passaram a caminhar

com um silêncio diferente.

As manhãs ainda florescem,

os rios continuam seguindo seu destino,

as estrelas cumprem seus percursos,

mas algo do universo parece guardar

o espaço exato da tua passagem.

Por vezes,

o vento atravessa as cortinas

como um antigo mensageiro

e espalha pelos cômodos da memória

fragrâncias invisíveis,

como se o tempo, generoso,

me enviasse pequenas cartas perfumadas

escritas com tua lembrança.

Ainda escuto melodias perdidas

entre as margens do amanhecer.

São canções que não chegam aos ouvidos,

mas ao coração,

e nelas reencontro a ternura

que embalava as noites

como a lua embala os jardins adormecidos.

As conversas permanecem vivas,

não em palavras,

mas em constelações de instantes

que brilham sob o céu da recordação.

Às vezes sorrio sozinho,

como quem encontra uma estrela antiga

guardada entre páginas do tempo.

Quando a música visita o ar,

as emoções despertam como flores após a chuva.

Então surge teu sorriso,

claro como aurora sobre montanhas,

e teu olhar,

farol dourado que continua iluminando

mares que julgava esquecidos.

As memórias são tesouros raros,

lapidados pela eternidade.

Não pertencem ao passado,

mas a um jardim secreto

onde o afeto floresce sem conhecer inverno.

Ali, encontro tua companhia outra vez,

serena como a luz que permanece

mesmo depois do ocaso.

E quando contemplo

aquilo que restou da matéria,

não vejo fim.

Vejo sementes devolvidas à terra,

vejo pó de estrelas retornando ao céu,

vejo ciclos completando sua travessia.

Porque existem presenças

que o tempo não apaga,

que as estações não levam,

que a distância não alcança.

Presenças que se transformam

em luz dentro da alma.

E tenho a certeza

de que, em qualquer era,

em qualquer amanhecer,

em qualquer curva do infinito,

teu brilho continuará existindo,

como uma constelação discreta

habitando para sempre

os horizontes do meu coração.

Escritora Luzia Couto 

Lei 9.610/98

21/08/2020

Ipanema Minas Gerais Brasil

 

POEMA ESSÊNCIA

 Essência 

Deixa meu horizonte

acolher o perfume dos jardins

que florescem em tua passagem,

enquanto o amanhecer derrama

taças de ouro sobre a relva

e o dia caminha sereno

até repousar nos braços do crepúsculo.


No ponto mais alto da alegria,

quando os astros parecem cantar

em invisíveis varandas do céu,

permaneço recolhendo

as fragrâncias do instante,

como quem guarda

pétalas de luz na memória.


No silêncio dos teus olhos

descansam lagos profundos,

onde os sonhos navegam

em embarcações de luar;

e eu os acompanho de perto,

como o colibri que descobre

o segredo das flores mais raras.

Suavemente percebo

a música que habita teu interior,

ritmo antigo como as marés,

sereno como os campos

tocados pela primeira claridade.

Cada suspiro transforma-se

em brisa sobre os vales,

viajando entre montanhas e estrelas,

levando mensagens invisíveis

aos confins da eternidade.

Então tua essência

torna-se rio luminoso,

e a minha, margem acolhedora;

ambas seguindo o mesmo curso,

refletindo auroras,

colhendo horizontes,

aprendendo com as estações

a beleza de simplesmente existir.

E assim a vida nos conduz,

como constelações guiadas

pela linguagem secreta do universo,

onde cada encontro é sementes de luz,

cada lembrança é jardim,

e cada amanhecer renova

a infinita canção das almas.

Escritora Luzia Couto 

Lei 9.610/98

13/06/2020

IPANEMA MINAS GERAIS BRASIL