Poema o que mora no desconhecido

O Que Mora no Desconhecido


Há uma tristeza suave no mistério,  

como a névoa que cobre o mar ao amanhecer.  

Não é dor que grita ou pede auxílio,  

é silêncio que aprende a permanecer.


Penso em você como quem observa estrelas,  

sem saber se a luz que vê ainda existe.  

Há tanta distância entre o sonho e a verdade,  

e é nesse espaço que o coração insiste.


Talvez o amor more atrás de uma esquina,  

num dia comum que ainda não chegou;  

ou talvez seja apenas uma sombra bonita  

que minha esperança, sozinha, desenhou.


O desconhecido veste todas as formas:  

às vezes promessa, às vezes adeus.  

E cada pergunta sem resposta  

parece afastar um pouco mais os céus.


Ainda assim, continuo caminhando,  

com medo do que nunca vou saber.  

Porque existe uma melancolia profunda  

em desejar aquilo que pode nunca acontecer.


E quando a noite cai sobre meus pensamentos,  

o futuro se torna um jardim sem cor.  

Nele florescem dúvidas infinitas,  

regadas pela ausência e pelo temor.


Mas o que mais machuca não é a perda,  

nem a distância, nem a solidão.  

É imaginar um amor possível  

e nunca descobrir se ele viveria dentro do coração.


Escritora Luzia Couto 

Lei 9.610/98

12/10/26

Ipanema Minas Gerais Brasil

 

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