Mapas de Névoa
Nas margens silenciosas da escrita,
tracei caminhos com tinta e memória,
pequenos mapas de um continente invisível
que existiu apenas dentro de mim.
Entreguei-os ao reino das possibilidades,
onde os sonhos repousam suspensos
como constelações que ainda procuram nome.
Ali habitam os dias que imaginei viver,
os jardins que plantei no horizonte,
as chegadas que nunca encontraram porto
e os voos que o vento desviou de direção.
Meus pensamentos caminham pelo infinito,
viajantes sem fronteiras,
carregando malas feitas de esperança,
saudade e perguntas sem resposta.
Encontro sombras de antigos desejos,
espelhos de futuros que não nasceram,
rastros de sorte e desencontros
gravados na areia móvel do tempo.
Mas aprendi que a vida
não segue os esboços que desenhamos.
Ela é rio indomável,
que contorna montanhas,
abandona margens conhecidas
e inventa oceanos onde não havia caminho.
E assim observo meus antigos projetos
flutuando como folhas douradas
sobre as águas da lembrança.
Não os lamento.
Foram estrelas que iluminaram a travessia,
mesmo sem tocar o chão dos acontecimentos.
Hoje compreendo:
aquilo que não foi
também ajudou a construir quem sou.
E cada rabisco perdido no passado
transformou-se em verso,
cada sonho inacabado
transformou-se em horizonte,
e cada silêncio da alma
transformou-se em poesia.
Escritora Luzia Couto
Lei 9.610/98
05/10/26
Ipanema Minas Gerais Brasil

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