[07:04, 10/10/2026] Poetisa Luzia Couto: Casa Vazia
A saudade bate à minha porta
sem pedir licença para entrar,
traz nos olhos o peso dos dias
e nas mãos o silêncio do mar.
A casa ainda guarda teus passos,
como ecos perdidos no chão;
cada canto repete teu nome,
cada sombra recorda o verão.
Mas foi o abandono quem ficou,
sentado à mesa do meu viver,
bebendo aos poucos minhas horas
e ensinando meu peito a doer.
Pergunto ao vento por respostas,
mas ele passa sem explicar;
leva folhas, promessas e sonhos,
deixa apenas a noite ficar.
Mesmo assim, entre ruínas e lágrimas,
há uma chama que insiste em arder;
pois quem sobrevive à ausência
aprende, devagar, a renascer.
E um dia a saudade será brisa,
não tempestade a me partir;
será lembrança pousada na alma,
como um pássaro cansado a dormir.
Escritora Luzia Couto
Lei 9.610/98
11/10/26
Ipanema Minas Gerais Brasil
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