Silêncio da Ausência
Há um silêncio morando em mim,
não o silêncio da noite calma,
mas aquele que nasce da partida
e faz eco no fundo da alma.
As palavras perderam caminho,
os risos esqueceram de voltar,
e cada canto da memória
aprendeu devagar a chorar.
Te procuro entre sombras e ventos,
na saudade que insiste em ficar,
como folha perdida no outono
que não sabe onde repousar.
Há dias em que tua lembrança
é um rio sereno a correr;
noutros, é mar revolto e profundo
fazendo meu peito estremecer.
Mas o amor que a morte não leva
permanece, discreto, a florescer,
feito estrela escondida na névoa
que continua a viver.
E nesse silêncio dolorido,
onde a ausência parece reinar,
guardo tua luz dentro da alma,
pois quem amamos nunca deixa de habitar.
Escritora Luzia Couto
Lei 9.610/98
11/10/26
Ipanema Minas Gerais Brasil
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