Poesia A conversa da chuva


 A Conversa da Chuva e do Vento

Numa tarde silenciosa e calma,

 o vento chegou sem fazer barulho,

 tocou levemente as folhas das árvores

 e passou a passear pelos caminhos do mundo.

Logo depois veio a chuva,

 com seus passos de gotas brilhantes,

 caindo mansamente sobre os telhados,

 sobre os rios, sobre as flores e sobre a gente.

O vento sorriu e perguntou:

— Por que você sempre chega chorando?

A chuva respondeu com ternura:

— Eu não choro. Levo para a terra aquilo que o céu já não consegue guardar.

O vento pensou por um instante.

— Então talvez eu faça o mesmo. Carrego sementes, perfumes e lembranças que não conseguem ficar no mesmo lugar.

Juntos, seguiram viagem.

A chuva lavava as poeiras do caminho, enquanto o vento espalhava esperança pelos campos.

Quando uma árvore estava cansada, a chuva lhe oferecia água.

Quando as nuvens estavam pesadas, o vento ajudava a levá-las adiante.

E assim descobriram que eram diferentes, mas que suas forças se completavam.

A chuva ensinava a importância da calma.

O vento ensinava a coragem da mudança.

A chuva mostrava que, às vezes, é preciso deixar as emoções fluírem.

O vento lembrava que a vida não foi feita para permanecer parada.

Naquela noite, enquanto a lua observava o céu, os dois dançaram juntos sobre a cidade.

As gotas brilham sob a luz prateada, e o vento as guiava como se fossem estrelas viajantes.

Quem olhava pela janela via apenas uma noite chuvosa.

Mas quem observava com o coração conseguia ouvir uma linda conversa:

— Obrigado por renovar a vida dizia o vento.

— Obrigada por me ensinar a seguir em frente   respondia a chuva.

 Desde então, toda vez que a chuva cai e o vento sopra suavemente pela janela, a natureza nos recorda um segredo simples:

há momentos para sentir e momentos para seguir, mas ambos são necessários para que a vida floresça. 

Escritora Luzia Couto 06/10/26

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