A Conversa da Chuva e do Vento
Numa tarde silenciosa e calma,
o vento chegou sem fazer barulho,
tocou levemente as folhas das árvores
e passou a passear pelos caminhos do mundo.
Logo depois veio a chuva,
com seus passos de gotas brilhantes,
caindo mansamente sobre os telhados,
sobre os rios, sobre as flores e sobre a gente.
O vento sorriu e perguntou:
— Por que você sempre chega chorando?
A chuva respondeu com ternura:
— Eu não choro. Levo para a terra aquilo que o céu já não consegue guardar.
O vento pensou por um instante.
— Então talvez eu faça o mesmo. Carrego sementes, perfumes e lembranças que não conseguem ficar no mesmo lugar.
Juntos, seguiram viagem.
A chuva lavava as poeiras do caminho, enquanto o vento espalhava esperança pelos campos.
Quando uma árvore estava cansada, a chuva lhe oferecia água.
Quando as nuvens estavam pesadas, o vento ajudava a levá-las adiante.
E assim descobriram que eram diferentes, mas que suas forças se completavam.
A chuva ensinava a importância da calma.
O vento ensinava a coragem da mudança.
A chuva mostrava que, às vezes, é preciso deixar as emoções fluírem.
O vento lembrava que a vida não foi feita para permanecer parada.
Naquela noite, enquanto a lua observava o céu, os dois dançaram juntos sobre a cidade.
As gotas brilham sob a luz prateada, e o vento as guiava como se fossem estrelas viajantes.
Quem olhava pela janela via apenas uma noite chuvosa.
Mas quem observava com o coração conseguia ouvir uma linda conversa:
— Obrigado por renovar a vida dizia o vento.
— Obrigada por me ensinar a seguir em frente respondia a chuva.
Desde então, toda vez que a chuva cai e o vento sopra suavemente pela janela, a natureza nos recorda um segredo simples:
há momentos para sentir e momentos para seguir, mas ambos são necessários para que a vida floresça.
Escritora Luzia Couto 06/10/26
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