O Amor Que o Destino Silenciou
O amor que o destino silenciou
é aquele que jamais se transformou em palavra,
é o suspiro sufocado
na garganta profunda do tempo,
o desejo escondido nas penumbras
do que ficou por dizer,
do que nunca ousou escapar
de lábios trêmulos e hesitantes.
Era um amor que habitava as sombras,
que se nutria de olhares furtivos e secretos,
de gestos que jamais se tocaram,
de promessas que pairavam no ar
como uma melodia interrompida
que nunca alcançava o seu final.
Um amor que existia apenas na quietude,
em silêncios que se estendiam
mais vastos e profundos que qualquer palavra.
O destino nos ofereceu os caminhos,
mas jamais a liberdade de escolher,
nos aproximou com delicadeza,
mas nos separou com a distância
do não dito, do não feito,
do que ficou suspenso entre nós.
Amávamos um ao outro na raiz do impossível,
naquilo que não podia ser pronunciado
por medo de quebrar a fragilidade cristalina
do que já estava prestes a se dissolver.
Era um amor que existia em momentos
em que o tempo parava o seu fluxo,
mas quando a vida exigia silêncio,
quando as palavras se desfaziam
antes mesmo de nascerem,
quando o amor não possuía voz
e apenas o olhar falava
em sua própria linguagem silenciosa e antiga.
E embora o destino nos tenha silenciado,
nos tenha tornado mudos em sua coreografia implacável,
sabemos que esse amor nunca se foi.
Ele continua a viver,
nos rastros invisíveis que deixamos
em cada passo não dado,
em cada olhar não correspondido,
em tudo o que poderia ter sido
e jamais foi.
É o amor que permaneceu suspenso
no espaço etéreo do “talvez”,
no silêncio eterno
que nunca deixou de existir.
O amor que o destino silenciou
é o sussurro que ainda persiste,
a chama que nunca se apaga,
o amor que vive no não dito,
naquilo que nunca ousou emergir à luz,
mas que sempre existiu,
nos recônditos mais secretos da alma.
— Escritora Luzia Couto
Lei 9.610/98
30/10/26
Ipanema, Minas Gerais, Brasil
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